Perdas do setor de navegação ultrapassam R$ 1,5 bilhão.

Os 10 dias de greve nacional dos caminhoneiros geraram prejuízos que superam a marca dos US$ 410 milhões, o equivalente a R$ 1,5 bilhão, ao setor de navegação no Porto de Santos. O cálculo é conservador e pode ser ainda maior por conta da variação de tarifas. O montante leva em consideração vários fatores,todos relacionados aos atrasos e à falta de mercadorias de exportação no complexo santista.

O Porto de Santos permaneceu com seus acessos rodoviários bloqueados aos caminhoneiros por 10 dias. Com isso, as cargas com embarques previstos deixaram de ser entregues aos terminais e as mercadorias desembarcadas ficaram retidas nas instalações portuárias.

De acordo com o Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), entre os fatores que são levados em conta no cálculo dos prejuízos, estão as despesas com sobreestadias de navios, os custos com as embarcações paradas e a falta de cargas nos terminais. O aumento do consumo de combustível dos cargueiros pelos desvios de rota para fugir do cais santista e a reprogramação das atracações também são medidas que elevam os custos das operações de transporte.

No início da semana, o Sindamar fez um primeiro levantamento sobre os prejuízos causados pela greve. As perdas, então, chegavam a US$ 100 milhões, cerca de R$ 375 milhões. Na ocasião, o protesto ainda não havia impactado tanto a programação das embarcações. E com a demora para o fim do movimento dos caminhoneiros, outros custos foram acrescidos. Até a tarde desta sexta-feira ontem, 57 navios permaneciam fundeados na Barra de Santos. Todos chegaram após o início da greve, deflagrada no último dia 21, e aguardam por uma vaga de atracação.

Desses, quatro são porta contêineres, 14, navios de granéis líquidos, três de açúcar a granel, 23, de granéis sólidos de origem vegetal, oito, de granéis sólidos de importação e cinco, de carga geral. Segundo o diretor-executivo do Sindamar, José Roque, os prejuízos gerados com a espera desses cargueiros chegam a US$ 6,1 milhões (R$ 23,3 milhões). Apenas entre os navios de granéis sólidos, os custos extras com demurrage, a sobreestadia das embarcações, somam US$ 1,2 milhão, o equivalente a R$ 4,5 milhões. É o caso do navio MV Nordic Stade, que teve sua permanência prolongada de dois para oito dias por falta de carga nos armazéns.

O mesmo aconteceu com o navio FH Fancheng, que levou seis dias para realizar uma operação que poderia durar apenas dois, por conta da falta de mercadoria no terminal. Já o cargueiro Grand Marcia teve sua estadia ampliada de dois para cinco dias.

Na importação de granéis sólidos, há cargueiros como o Marcos Dias, que deixou o Porto com aproximadamente 18 mil toneladas de sal porque não havia espaço para a descarga no terminal. Além dele, sofreram atrasos os navios Nina Marie, Brigitte e MonaManx, que não descarregaram.

A estimativa é de que 83 mil toneladas tenham deixado de desembarcar em uma única instalação da Margem Direita do cais santista. Segundo Roque, nas operações com contêineres, a estimativa é de que tenham deixado de embarcar mais de 500 mil toneladas de cargas. “E essa quantidade ainda pode aumentar, considerando que, na primeira semana da paralisação, havia ainda carga de exportação depositada nos terminais”.

Fonte: A Tribuna

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