Sem regime no setor, venda de carros importados cresce apesar do dólar.

A importação de veículos aumentou sua participação de 12,3% para 13% em maio, mês em que a indústria de automóveis sofreu revés, após longa série de altas, graças à greve dos caminhoneiros. Com o fim do programa Inovar-Auto e ainda sem o Rota 2030, a participação dos importados nas vendas de veículos em maio cresceu de 12,3% para 13%, mesmo com a grande disparada do dólar no mês, saindo de R$ 3,55 para R$ 3,77 no início de junho.

De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, a demora na apresentação do programa Rota 2030 não é o que está causando esse aumento nas importações, mas o fim do Inovar Auto certamente é responsável por esse aumento. “O Inovar-Auto tinha 30 pontos percentuais adicionais no imposto para quem importasse além das cotas permitidas. Acreditamos que deve aumentar essa participação dos importados até 15% nos próximos meses por causa do encerramento daquele programa”, afirma.

O sócio-diretor da Macrosector Consultores, Fábio Silveira, ainda aponta para outro motivo que leva ao aumento da participação das importações no total das vendas de automóveis, a elevação real da renda dos brasileiros. “Essa importação que vem crescendo tem um motivo mais consistente, que é a recuperação, ainda que parcial, do mercado de automóveis. Com a crise de 2015 e 2016, houve um empobrecimento forte do País e, neste biênio, as importações, por um motivo de renda, encolheram”, acrescenta o consultor.

De um modo ou de outro, o lançamento do Rota 2030 parece não estar tão perto quanto os executivos do setor haviam previsto nos últimos meses. Segundo reportagens divulgadas nesta semana, o Ministério da Fazenda retomou o debate sobre problemas no texto, como a possibilidade de consequências negativas na Organização Mundial do Comércio (OMC), que condenou o Inovar-Auto em 2017. Segundo Megale, essas notícias foram motivadas por “reuniões complexas” que ocorreram dentro do governo na semana passada por divergências em relação ao texto e aos valores que devem estar envolvidos no programa. “Já na sexta-feira (1), essas questões foram equacionadas. O problema principal é que a mesma equipe que foi chamada para resolver o Rota também estava empenhada em atender às reivindicações dos caminhoneiros”, explica.

Para o presidente da Anfavea, os boatos de que a concessão de subsídios ao diesel tornaram o governo mais reticente em oferecer incentivos para as montadoras que investirem em pesquisa e desenvolvimento – como proporia o Rota – não procedem. “Tudo isso já está resolvido e o programa deve sair antes do fim da Copa do Mundo”, garantiu.

Impacto da greve

A paralisação dos caminhoneiros, no fim do mês passado, afetou significamente os números da indústria automotiva em maio. A produção de veículos, que vinha de 18 altas mensais consecutivas, teve uma queda de 20,2% no período, caindo de 266,1 mil unidades em abril para 212,3 mil, conforme dados da Anfavea. Na comparação com maio do ano passado, a queda foi de 15,3%.

No mesmo caminho da produção, as exportações tiveram uma contração no mês, caindo de 73,2 mil unidades em abril para 60,7 mil em maio, uma redução de 17%. Na base anual, a retração foi de 17,3%.

Por outro lado, os licenciamentos mostraram alta em maio na comparação anual, atingindo a marca de 201,9 mil veículos vendidos, contra 195,6 mil no mesmo mês do ano passado, registrando um avanço de 3,2%. Na base mensal, os licenciamentos caíram 7,1%, dos 217,3 mil automóveis vendidos em abril.

Megale diz que o setor deixou de produzir entre 70 mil e 80 mil carros por conta da greve. No mercado interno, perto de 25 mil automóveis não foram comprados durante a paralisação. Enquanto os caminhoneiros bloqueavam as estradas, mais 15 mil veículos deixaram de ser embarcados, embora não tenha ocorrido perda de contratos.

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